| Nos últimos meses, o mundo tem assistido - não sem algum espanto - ao desenrolar da crise europeia. Antes restrita à Grécia, uma economia de dimensões modestas, a turbulência já ameaça se espalhar por países como Portugal, Espanha, Itália e Irlanda, membros do novo e humilhante acrônimo Piigs. É impossível dimensionar a extensão dessa nova crise ou prever suas consequências para a Europa e para o mundo. Para nós, brasileiros, a única coisa a fazer hoje é tentar tirar lições da tragédia europeia. A primeira, e talvez mais importante, é tema do artigo assinado por J.R. Guzzo e publicado nesta edição. Após a eclosão da crise financeira internacional, em setembro de 2008, defensores da mão forte dos governos na economia despertaram. A fim de evitar excessos, os mercados deveriam ser tutelados pelo Estado. Mas a atual crise dos países europeus nos lança uma pergunta: se governos vão vigiar os mercados, quem vigiará os governos? A segunda lição diz respeito à eterna necessidade de responsabilidade e vigilância na gestão pública. É inegável que vivemos um bom momento na economia brasileira. Talvez o melhor momento em décadas. É quase certo que, em 2010, assistiremos a um robusto crescimento do PIB. É evidente que, hoje, os investidores internacionais se mostram encantados com o potencial do mercado brasileiro. Nada disso, porém, deve ser encarado como um bilhete grátis para a gastança e a irresponsabilidade na gestão das contas públicas. A manutenção do encanto brasileiro depende de nossa capacidade de planejar e valorizar o amanhã. Não é algo fácil. Em meio a uma festa, é natural que queiramos nos divertir, aproveitar o hoje ao máximo. Mas a experiência de Grécia, Portugal e, em menor grau, Espanha nos mostra que a fortuna normalmente nos conduz à imprudência. Para esses países, a entrada na Comunidade Europeia e a adesão ao euro significaram a possibilidade de usufruir uma prosperidade que, vê-se agora, não era real. Durante todos esses anos, essas sociedades, induzidas por seus governos, adotaram um estilo de vida muito acima do que suas economias podiam pagar. A conta de um passado de confortos está sendo paga por um presente de sofrimento. Como brasileiros, é importante que saibamos pensar no amanhã para que não deixemos um legado semelhante a nossos filhos.  |
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