| Em 1995, uma então jovem repórter de EXAME foi designada para investigar a ascensão dos chamados Tigres Asiáticos e sua consequência para a economia brasileira. O mercado - aberto às importações poucos anos antes - começava a receber centenas de itens produzidos na Ásia e os empresários brasileiros encaravam, pela primeira vez, uma concorrência até então desconhecida. Na época, a China continental começava a despontar como uma novidade na economia mundial - uma novidade assustadora, um país que jogava um jogo competitivo diferente daquele que o Ocidente estava acostumado a ver. Nesse curtíssimo período de tempo - são, afinal, apenas 15 anos -, a China tornou-se uma potência industrial, com 1,4 bilhão de habitantes e mais de 2 trilhões de dólares de reservas. O banco de investimento Goldman Sachs projeta que até 2025 o país se torne a maior economia do mundo, à frente dos Estados Unidos. Desesperados por minérios, energia e alimentos que sustentem seu incrível crescimento, os chineses rapidamente se espalham pelo mundo com seus recursos e suas empresas na linha de frente. Eles tomaram conta da África, fincaram posições na Ásia, chegaram ao Meio-Oeste americano e - finalmente - redescobriram o Brasil. O país já não é visto apenas como destino de produtos manufaturados e fonte de importações de matérias-primas. Neste ano, indicam as projeções, a China baterá países como Estados Unidos, Alemanha e Espanha como o maior investidor direto no Brasil. É o que mostra a primeira parte da reportagem de capa desta edição, conduzida pelo editor Marcelo Onaga e pelo repórter Thiago Bronzatto. Serão cerca de 10 bilhões de dólares, investidos em empresas de energia e petróleo, minas de ferro, portos e terras para o agronegócio. O dinheiro chinês traz consigo uma questão que hoje vem sendo debatida em todo o mundo. Como encarar um capital que tem atrás de si o Estado e seus objetivos econômicos e políticos? É uma pergunta nova, como tantas outras que vêm sendo colocadas pela ascensão de Pequim. Goste-se ou não, a China vem ajudando a mudar o mundo. E é melhor encarar e compreender essa nova realidade - que se estende das relações internacionais ao dia a dia dos negócios. É exatamente desse aspecto - o funcionamento de uma corporação chinesa por dentro - que trata a segunda parte de nossa reportagem de capa. A editora Carolina Meyer passou três dias na sede mundial da Huawei, em Shenzhen, no sul da China. Segunda maior fabricante mundial de equipamentos para telecomunicações e a mais internacionalizada companhia chinesa, a Huawei representa uma das faces mais modernas do país - ainda que seu conceito de modernidade esteja envolto de polêmica. Será esse o modelo de capitalismo que veremos prosperar daqui para a frente?  |
0 Responses to "EXAME Prévia - Edição 970":
Postar um comentário